OPINIÃO | 'GRAVAR AS MARCAS' DE VERONICA ROTH

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No âmbito do projeto "Mulheres Para Ler" criado pela Iara do canal Conto Em Canto, no qual participei, li o "Gravar As Marcas" de Veronica Roth.
Sendo uma grande fã da série "Divergente" este livro era para mim dos lançamentos mais esperados do ano e depois de toda a controvérsia à volta deste livro a vontade de o ler cresceu ainda mais. Cuidado com os spoilers!

Editor: HarperCollins
Edição ou reimpressão: 01-2017
ISBN: 9788491391111
Goodreads: ★★★★
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SINOPSE
CYRA é a irmã do tirano cruel que governa o povo de Shotet. O dom-corrente de Cyra confere-lhe dor e poder, que o irmão explora, usando-a para torturar os seus inimigos. Mas Cyra é muito mais do que uma arma nas mãos do irmão; é resistente, veloz e mais inteligente do que ele pensa.

AKOS é filho de um agricultor e do oráculo de Thuvhe, a nação-planeta mais gelada. Protegido por um dom-corrente invulgar, Akos possui um espírito generoso e a lealdade que dedica à família é infinita. Após a captura de Akos e do irmão, por soldados Shotet inimigos, Akos tenta desesperadamente libertar o irmão, com vida, custe o que custar. Então, Akos é empurrado para o mundo de Cyra, onde a inimizade entre ambas as nações e famílias aparenta ser incontornável. Ajudar-se-ão mutuamente a sobreviver ou optarão por se destruir um ao outro?

OPINIÃO
Por onde começar? Esta é a primeira coisa que me vem à cabeça quando penso que quero escrever a opinião deste livro fantástico. Surpreendeu-me tanto. A Veronica está tão de parabéns.

Quando iniciei a minha leitura confesso que não estava a ir "muito à bola" com o livro. Não parecia nada que tinha sido escrito pela Veronica, e para além disso faz muito tempo que não leio um livro de fantasia/ficção cientifica. Nos primeiros capítulos somos introduzidos à história: conhecemos Cyra e Akos, as suas famílias, os seus povos, Shotet e Thuvhe respectivamente. É um mundo bastante complexo no qual demorei muito tempo a entrar e assimilar todos os conceitos, nomes, etc. Voltei atrás várias vezes para reler, mas assim que consegui assimilar tudo, entrei num dos mundos mais fantásticos que já 'conheci'. Desde então não larguei mais o livro e agora que o terminei só quero mais.

As personagens estão extremamente bem desenvolvidas. Claro que acabamos por conhecer melhor o Akos e a Cyra porque são eles que narram este livro. Mas mesmo as outras que aparecem poucas vezes estão bem estruturadas. Acredito que no próximo livro viremos a descobrir mais sobre elas.

A minha personagem favorita é a Cyra, porque a considero uma mulher forte e corajosa - depois de tudo o que ela passa durante todo o livro, para não falar do seu dom-corrente. Apesar de também adorar o Akos, que mostra do inicio ao fim a lealdade que tem para com a sua família.

Outro aspecto muito positivo deste livro é a relação entre o Akos e a Cyra. Eu, assim que o Akos foi empurrado para o mundo de Cyra, tive um feeling que iria surgir entre eles um sentimento. Não me enganei, mas adorei o facto da Veronica não querer tornar isso o foco do livro. O desenvolvimento da relação deles é feito de forma discreta sem nunca se tornar o ponto mais importante do livro.

Uma coisa que me surpreendeu foi que a Veronica colocou personagens homossexuais. Falo de Cisi, a irmã de Akos, que mostra um grande interesse por Isae, a chanceler de Thuvhe. Segundo Akos, o sentimento é mútuo referindo-se a Isae. Gostei bastante da maneira como a relação entre elas foi abordada na história, também de uma forma discreta, mas penso que será mais desenvolvida no próximo livro.

O único ponto que considero negativo foi o facto de os capítulos da Cyra serem narrados na primeira pessoa e os do Akos na terceira. Sinto que os da Cyra se tornavam mais interessantes. Dava para conhecê-la bastante melhor e acabei por me apegar mais a ela do que a ele.

O que mais gostei neste mundo foi o facto de todas as personagens terem dons-correntes, destinos, e de cada povo ter as suas tradições. No caso dos Shotet, que foi o que me despertou mais interesse, foi o costume de gravar uma marca sempre que assassinavam alguém - daí o título do livro.

Muita polémica se gerou por causa desta questão de gravar as marcas, sem qualquer tipo de razão. Isto é uma tradição daquele povo. Ainda existem muitos povos com tradições não muito "normais" à vista de muita gente. E estamos a falar da realidade e não de ficção, como é o caso. Continuando, no tema das polémicas, também vi muita gente a falar em racismo - posso garantir que não encontrei qualquer demonstração de racismo neste livro. Conheci dois povos que são inimigos - quantos não o são hoje em dia e fazem coisas impensáveis por causa disso? Este livro consegue retratar, em alguns momentos, a atualidade. Não percebo todo o histerismo que rodeia este livro e acho que nunca vou compreender.

Resumindo e concluindo: QUE LIVRO FANTÁSTICO. A escrita da Veronica amadureceu, a história está extremamente bem construída e as personagens bem desenvolvidas. Mesmo que não tenham gostado de "Divergente", devem dar uma oportunidade a este livro. Tenho a certeza que serão surpreendidos.

Sivbarat. Zethetet.

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